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OSWALDO SAIDE

 

LUIZ LIMA

 

, O que levou você a escolher a profissão de médico?

 

OSWALDO SAIDE

Na verdade, eu fui muito influenciado pela minha mãe. Ela era uma pessoa muito modesta, pobre, trabalhava no hospital como auxiliar de enfermagem. Mais tarde, ela fez um curso técnico de enfermagem, mas o sonho dela era ela ser médica.  Ea me influenciou para isso. Minha mãe casou-se  uma segunda vez, e teve cinco filhos.

Casou com um homem muito católico, que me influenciou para entrar no seminário, para ser padre, no Seminário São José, no Rio Comprido, durante cinco anos. Quando eu saí do seminário, não sabia direito o que fazer, e a mamãe disse

“Ah, faz medicina”.

“Por que eu vou fazer medicina? Você é quem quer fazer medicina.”

“Não, medicina é bom porque você não precisa resolver o que você vai fazer agora. Você vai acabar descobrindo alguma coisa, para fazer na medicina.”

Eu achei o argumento bom, e deixei para resolver o que eu ia fazer, depois que eu fizesse medicina, porque a medicina me daria tempo para decidir qual é a área que eu iria me dedicar. Realmente, percebi isso logo que eu entrei no curso. Mas, para mim, foi tudo muito difícil, porque tinha que fazer um pré-vestibular, e a minha família não tinha dinheiro para pagar curso pré-vestibular.

Então fui procurar uma saída, e falei lá no Miguel Conto, no Centro, o que eu poderia fazer, já que eu não tinha como pagar.  Quem me atendeu foi o professor Sampaio que lecionava física., e gentilmente me deu uma bolsa de 50%.

Eu morava em Olaria em uma casinha muito modesta, e o papai professor de música do IAPETEC, não ganhava quase nada.  Consegui fazer o vestibular, e sabia que eu tinha que passar no primeiro ano, porque se eu tivesse que fazer outro ano, eu não teria dinheiro para pagar.  Felizmente, passei.

Consegui passar até na UFRJ, na UERJ, na Unirio, escolhi a UERJ porque era mais perto de casa.  Eu pegava o trem na estação de Ramos, saltava na estação Maracanã, e ia andando para a faculdade.

Todos esses anos que, para a maioria das pessoas, as lembranças são agradáveis, para mim foram lembranças muito difíceis, porque foi com muita dificuldade que eu fiz o curso.

Tive que dar aula para “Artigo 99” equivalente ao supletivo. Eu dava aula à noite para ter algum dinheiro, e continuar na faculdade. Muita dificuldade, muita dificuldade. Dei aula em cursinho. No primeiro ano da faculdade.

A turma tinha alguns colegas com recursos e que faziam programas no final de semana. Eu não tinha dinheiro para programa nenhum.

Descobri um grupo de jovens da Igreja de São Geraldo, lá em Olaria, que também era gente sem dinheiro, e me encontrava na Igreja com eles para bater papo e tal, e era aquilo que eu às vezes fazia no final de semana.

E a carga de trabalho que eu tinha era muito grande, entendeu? Eu praticamente trabalhava à noite e chegava em casa 11h30 da noite para acordar no dia seguinte 6h da manhã e chegar na faculdade às 8h.  Foram anos muito difíceis para mim os anos da faculdade.

No sexto ano, eu passei a morar dentro do hospital, porque arranjei uma vaga.   O sextanista e os internos podiam morar na antiga residência, mas não os que eram daqui do Rio de Janeiro, mas eu, graças à ajuda do Geraldo Magela, que já faleceu, falou:  , Tudo bem você fica  com a gente.

Então uma a uma, eu fui driblando as dificuldades. Minha mãe, para me ajudar, fazia roupas para mim, umas camisas horríveis. Ela não era uma boa costureira, era só a boa vontade dela.

Uma vez, eu estava dando aula para no supletivo e tinha uma aluna “madame”.

Ela virou para mim e disse:

Olha, eu estou vendo a roupa do senhor, o senhor me desculpe eu falar assim, particularmente, eu tenho um filho que tem o seu tamanho,  é do seu modelo e, ele tem muita roupa. Ele se enjoa de roupa e a joga fora. Se o senhor me permitir, se gostar, fica para o senhor. O que o senhor não gostar, o senhor joga fora. Eu posso trazer?

Eu respondi: “Tá bom, minha senhora”.

Era uma senhora que morava em Copacabana.

Eu fiquei maravilhado, quando eu vi as roupas que ela me trouxe.

Meu Deus, como é que o sujeito joga fora essas roupas? Roupas ótimas. Eu usei as roupas por bastante tempo. Foi ótimo.

O ambiente na faculdade eu achava muito assustador. Percebia-se  que tinha “olheiro” para todo lado, para ver se tinha comunista. Era gente que entrava na reunião, e víamos que não eram da turma. Sentavam acintosamente para escutar o que estava sendo falado, em suma, eu sentia que o clima era muito pesado e perigoso, tanto é que, a Ana Maria da  nossa turma fugiu, foi para o Chile.

 

Eu, particularmente, era contra o regime ditatorial, mas não via muita oportunidade de manifestação a respeito. Preferi ficar calado.  Era o mais prudente. Eu tinha uma simpatia muito grande com o Antônio Augusto. Entendi que o Antônio Augusto era uma pessoa que tentava uma alternativa no meio dessa loucura, mas eu via que tudo era muito perigoso.

No meio dessa confusão, dessas dificuldades todas, eu as fui driblando e comecei a residência na psiquiatria no Pedro Ernesto. Foi uma decisão ótima não só porque realmente eu me identifiquei com a especialidade, mas também acabei me entrosando muito bem com o meio psiquiátrico e me entrosei muito bem com o Cláudio Macieira e o Jorge Alberto que eram professores e eles me convidaram para ser professor auxiliar. Na época era assim que você entrava, com um contrato de professor auxiliar e esse convite era para um ano ou dois anos de contrato. Eu tive dois anos de contrato e estava fazendo mestrado em medicina social quando fui beneficiado por uma regra do reitor que eu não me lembro mais o nome dele, que decidiu que quem tinha um mestrado pronto e fosse professor auxiliar até o dia 30 de setembro daquele ano de 1981 poderia passar para  professor assistente e adquirir estabilidade. Essa norma me beneficiou demais. Defendi minha tese no início de setembro e passei a professor assistente com estabilidade e já não precisava das renovações de contrato que dependiam de política

Eu acabei fazendo a carreira e já podia ter me aposentado. Estiquei até o máximo e me aposento agora no final do ano mas porque quis, né? Gostei da carreira, fui essencialmente um professor e não um pesquisador. Hoje em dia muitos acham que professor não é nada, que bom mesmo é ser pesquisador. Os alunos entram na faculdade querendo fazer pesquisa.  Não querem dar aula. Nós avisamos para o cara, olha só você tem que dar aula.

Ah! que chato, tem que dar aula?

Muitos entram na universidade com outro espírito, já com uma linha de pesquisa na cabeça e pretendem desenvolvê-la, produzir artigos internacionais, então vêm com uma fantasia desse tipo.

Então, um professor diz para esta pessoa:

“Precisa dar aula para o quarto ano, precisa dar aula para o sexto ano, precisa supervisionar os residentes;”

Ele retruca:

“Ai meu Deus do céu não tem ninguém aí para fazer isso não?”

Eu também acho que a carreira universitária é muito atraente, mas nem todo mundo está destinado a isso. Eu me identifiquei bem com isto e tive oportunidades, numa sucessão de acasos, que me facilitaram e eu talvez tenha sabido aproveitar.

Foi no início da minha vida na residência que me casei tive dois filhos com ela me separei e me casei uma segunda vez com a mulher que estou atualmente e tenho uma filha mocinha de 18 anos.

Comprei uma sala e montei consultório na praça Saens Pena em 1980

Fiz a livre docência quando a universidade abriu a livre docência e isso me permitia chegar a ser professor adjunto e associado.  Estou me aposentando como professor associado.

A livre docência foi extinta pelo Ministério da Educação, mas acho que o MEC deveria rever isso porque a livre docência tem uma função muito grande. Tem muitos profissionais de alto gabarito que não fazem o curso formal e que poderiam se submeter a uma prova de livre docência merecidamente e serem por uma questão de experiência da vida até ser professores após uma certa idade

LUIZ LIMA

Na sua experiência profissional, atendendo as pessoas, como que você encaminhou isso? Porque houve mudanças ao longo desses 50 anos, não só na organização social para atendimento às pessoas mas também na terapêutica, e a mais marcante foi a chamada reforma psiquiátrica onde fecharam-se ou os manicômios

OSWALDO SAIDE

Realmente a reforma trouxe algumas coisas positivas como o término dos grandes manicômios, mas criou uma cultura fortemente antipsiquiátrica e hoje o Rio de Janeiro praticamente não tem hospitais psiquiátricos o que é um exagero.

Precisaria ter hospitais psiquiátricos de pequeno porte para atender casos muito graves de doença mental pois os pacientes mais graves acabam indo para as ruas. Quer ver um paciente psiquiátrico grave é só andar pelas ruas de Vila Isabel. Tem um monte de pacientes psiquiátricos graves em Vila Isabel. Tentaram criar os CAPs mas eles não dão conta de casos muito graves que exigem internação e a internação que existe no CAPs chamam até de “acolhida”.  O sujeito bateu na mãe, aí bota o sujeito 2 dias, 3 dias no CAPs. em 2, 3 dias ninguém sai de um surto psicótico e, é claro que provavelmente a mãe ou o pai vão acabar abandonando essa pessoa porque depois que você leva uma surra de um filho 1, 2, 3 vezes e você vendo que ninguém sabe resolver o problema o sistema de saúde não sabe resolver o problema, você se muda e abandona o filho. Não vai ficar apanhando. As pessoas se afastam mudam de endereço não dão endereço para não serem achados  Se você tem um filho esquizofrênico agressivo,  é pobre,  tenta a primeira vez,  leva no pronto-socorro,  tenta levar no CAPS,  durante algum tempo você tenta, mas  quando você vê que o que  fazem é simplesmente ficar com o paciente dois dias, três dias e devolvem,  quando o paciente não toma remédio porque não consegue o remédio,  é uma complicação danada e realmente isso você quando vai procurar ser atendido é atendido pelo psicólogo o psicólogo faz

evidentemente o trabalho dele, psicológico, e o caso é grave de medicações sofisticadas que o próprio SUS não tem. O sistema não faz ECT, o ECT virou um monstro, não se faz ECT lá no Pedro Ernesto. Quem faz ECT só se tiver dinheiro pra ter plano de saúde. Os hospitais psiquiátricos hoje do Rio de Janeiro são todos de plano de saúde, então se pode pagar um plano de saúde tudo bem, você leva teu filho pra tá pra internar e ele fica lá dois meses e consegue melhorar um pouco. E  fica em casa mais um ano até ter outra crise.

Existem muitas razões para o aumento da população de rua. é evidente que o fechamento dos hospitais psiquiátricos, não é a única mas uma das razões. Você com um pouco de noção de medicina encontra na rua caras com doença mental sem tratamento pelo sistema atual de saúde. Se endeusa a liberdade, mas qual liberdade quando o sujeito não sabe o que faz com o dinheiro que ganha. Muitas vezes o serviço social pega essas pessoas de rua arranja bolsas então simplesmente a pessoa pega o dinheiro mas não tem capacidade de administrar o dinheiro ela gasta com qualquer coisa, drogas, bebidas  e sem  dinheiro não tem noção nem cabeça para administrar a própria vida então é uma liberdade perdida. Agora não vejo algum movimento de mudança para para minorar esse tipo de coisa. As perspectivas apresentadas pelo PT, na verdade foi o PT que comandou esse fechamento dos espaços psiquiátricos no Brasil, e não houve uma contraproposta de nenhuma organização política, não vi isso acontecer de fato em termos de atenção ao doente mental. Olhando o que acontece hoje a diferença é que os doentes mentais antigamente ficavam em asilos abandonados hoje ficam nas ruas abandonados e os doentes graves se multiplicam porque a sociedade é uma sociedade extremamente seletiva com as pessoas. Você precisa mostrar capacidade para poder trabalhar competência, conhecimento. É uma sociedade sofisticada e hoje o Brasil quanto mais sofisticado, mais dificuldades têm pessoas com doença mental  de sobreviver diante de tamanhas exigências.  Na área psiquiátrica, dentro da saúde mental,  quais seriam essas propostas ou esses grupos que você poderia nomear que trabalham  bem?

A psiquiatria da UERJ tem internação.  tem ambulatório procura formar psiquiatras dentro de uma visão médica pois é importante a visão médica. Não resolve todos os problemas mas você precisa de médicos porque não pode e achar que vamos resolver, por exemplo, a tuberculose resolvendo o problema social.  Acho que precisa resolver o problema social sem dúvida nenhuma para ajudar muito a resolver a tuberculose mas na hora que você está diante do doente com tuberculose você precisa entender o que é bom nas escolhas corretas de exames de testes de medicamentos de condução do caso então você precisa ter um médico também senão se você achar que vai resolver que é exatamente a ilusão em relação à questão da doença mental que dá impressão até de que a doença mental não existe isso é um produto da invenção dos psiquiatras que inventaram essa merda para acabar com essa ideia a doença mental não existe então eu estou dizendo que a partir da reforma psiquiátrica houve um movimento forte antimédico, antipsiquiatria que não é um adianto para a vida do ser humano, porque a medicina tem seu papel. Eu me lembro, não eram da nossa turma, mas acompanhei alguns colegas dentro de uma perspectiva ideológica que fazia propaganda pelo movimento antimanicomial.

Minha impressão é de que a luta antimanicomial hoje trabalha dentro de um sistema que é um retrocesso. Se atolou nos problemas achando que praticamente tudo pode ser resolvido pelo social tudo pode ser resolvido com as pessoas fora do hospital psiquiátrico fora do manicômio,  como eles diziam que  o importante era liberdade e aí só aumentou a população de rua porque as pessoas são mal atendidas não tem uma atenção realmente séria porque quando você vai para esses CAPs você tem um psiquiatra e dez assistentes sociais dez psicólogos que evidentemente veem a coisa toda do ponto de vista social. Fica faltando o tratamento médico com o avanço da psiquiatria. A medicina psiquiátrica propriamente dita não é hoje forte no sistema. A solução diz-se é arranjar um benefício e com ele se resolve.

Resolve nada.  Os doentes mentais não sabem o que fazer do dinheiro, não têm organização psíquica por conta da doença, que nunca tiveram desde a adolescência, da infância, com problemas psiquiátricos muito precoces que passam desapercebidos

Vi uma reportagem sobre a Cracolândia lá em São Paulo e a impressão que tive foi que era um pessoal que podia estar no manicômio. Todos ali davam a impressão que era uma grande alienação e ninguém se importava. Não vai ser a polícia que resolverá isso pois  não se pode botar todo mundo na cadeia,  Aquela insanidade coletiva ali,  salta aos olhos tem que tem de haver ali alguma ação e que não é que não é policial nem só uma ação social. Tem que ter tratamento também precisa de tratamento mas todo discurso que é considerado discurso avançado é um discurso avançado antipsiquiátrico. Hoje curiosamente é a psiquiatria é considerada retrógrada quando na verdade a psiquiatria tem muita coisa nova, moderna e muito interessantes em termos de tratamento.  Nós, na psiquiatria da UERJ conseguimos fazer uma coisa boa e tratamos bem as pessoas gratuitamente pelo SUS, mas isso não corresponde ao total de uma cidade como a nossa realmente muito grande, com 6 milhões de habitantes, então no total, o tratamento do SUS hoje deixa a desejar em termos de saúde mental. Isso fica patente ao andar pelas ruas da cidade do Rio de Janeiro cheias de doentes mentais e completamente abandonados. Esses serviços como o lá da UERJ existem em outros lugares, em outras cidades, em outros estados em locais universitários como por exemplo a UFRJ a Instituto de Psiquiatria a USP lá em São Paulo a UNIFESP também em São Paulo. São núcleos que trabalham corretamente, com dificuldades provavelmente, mas todos trabalham corretamente, evidentemente apenas para uma parcela da população.

USP cobra para fazer isso A gente não tem ali na UERJ

Como é que pode isso?

Se fizer o SUS não paga, mas colocamos à disposição. Mesmo que o SUS não pague.

Na UERJ temos a estimulação magnética e não cobramos, isso é bancado pelo Estado. É um procedimento moderno deixado de lado porque se acha que tudo vai se resolver pelo social.

Em relação aos congressos que têm havido, o congresso brasileiro de psiquiatria é um bom congresso.  É o terceiro maior do mundo e vai ser no Rio de Janeiro, em novembro. Os congressos são muito bons, de ótimo padrão.

O congresso brasileiro de psiquiatria. o pessoal que é mais ligado à reforma psiquiátrica, ideologicamente fechados com a reforma psiquiátrica  estará lá. Eles vivem em um mundo à parte, mas têm o domínio político na saúde mental no país desde 2000. Eles vão ao congresso brasileiro de psiquiatria e acham que a coisa é assim. de tecnologia tola entendeu? A psiquiatria está tecnicamente sofisticada, mas restrita às parcelas mais abastadas da população. Quando vem o congresso mundial vêm as novas ideias e não importa o pessoal aqui da reforma. Para você ter ideia, o que se chama no mundo inteiro de  hospital-dia, aqui não existe com esse nome, mas CAPS, que não é um nome internacional, Se você quiser fazer um estágio nos Estados Unidos oui na Europa você vai fazer um estágio em day hospital . Você vai ficar num day hospital americano, num day hospital inglês, “l’hôpital de Journée” não sei o que, isso é o que existe lá fora não existe CAPS existe hospital-dia. A concepção é realmente de cuidados médicos de intensidade mediana. Eu tive na França e vi que o hospital Sant’Ane, por exemplo.  é um hospital moderno, maravilhoso onde você tem ao lado do Sant’Ane uma unidade de avaliação, de rádio diagnóstico, de radiologia avançadíssima com outros exames a mais que permitem ajuda no diagnóstico de problemas neuropsiquiátricos.  fica ao lado do Sant’Ane que tem uma estrutura boa. Não é um macro hospital e não parece que 150 leitos hoje em dia já foi de 2000 leitos e com um trabalho excelente entendeu? E o que tem nas diversas unidades ao longo da cidade de Paris é o hospital-dia, com ambulatórios. Nós aqui temos carência de ambulatórios dificuldade de tratar uma pessoa ambulatorialmente com a doença do pânico. Só quem tem doença do pânico é que sabe a dificuldade que é conviver com isso. Se você não tiver um plano de saúde vai estar enrolado para se tratar. Acho que isso mostra porque o plano de saúde continua existindo. Se o SUS fosse como deveria ser ninguém precisaria de  plano de saúde. Pra que eu vou ter plano de saúde? o SUS resolve meu problema, mas como não resolve eu tenho que ter plano de saúde então ficou assim uma medicina de pobre que acaba sendo a medicina do plano SUS. Ocasionalmente é brilhante o SUS. Nós temos ali no Pedro Ernesto cirurgia robótica,  isso é uma maravilha ter cirurgia robótica no SUS. Existem coisas maravilhosas mas são ilhas. Temos na psiquiatria a estimulação magnética transcraniana, mas não damos conta da necessidade que tem na cidade do Rio de Janeiro de fazer estimulação magnética. Fazemos em alguns casos selecionadíssimos porque temos apenas um aparelho. Pra você ter ideia,  a USP., o Instituto de Psiquiatria cobra pela estimulação magnética transcraniana. Vende o serviço, cobra por fora. Não sei como é que pode um negócio desses, mas faz. Tem 10 aparelhos funcionando diariamente com 10 pessoas fazendo estimulação magnética por dia; tudo pago, e cobra

As pessoas vêm as coisas do jeito delas é, eu sei, mas digamos assim,  a pesquisa epidemiológica geralmente mostra mais próximo da realidade,  então ao abrir o jornal se lê notícias de que estão pesquisando a causa da depressão,  que  chamam agora de burnout,  não sei o que,  uma série de problemas que estão nessa área da saúde mental mas que na verdade são só notícias de jornal não é?

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